minha mente pensa,
acusa,
ensaia futuros,
revira arquivos
como quem procura febre
num corpo que já esfria.
ela passa.
eu fico.
no intervalo.
entre um pensamento e outro.
onde o ar entra quente
e sai mais lento
do que entra.
ali
onde o peito não se explica.
há algo que sangra.
não porque é ferida,
mas porque é vivo.
culpa, amor, medo,
misturam-se.
tudo antigo.
tudo fundador.
aprendo
não a arrancar,
mas a tocar
o tecido mais duro
que agora sustenta.
as cicatrizes se formam
sem desaparecer.
fecham
enquanto eu vejo.
o novo não chega,
brota.
há um corpo presente.
respirante
não como falta.
como calor que permanece
quando a noite termina.
eu (me) observo
enquanto o tempo trabalha em mim.
não seguro.
não corro.
testemunho.
e o que fica
fica porque quer.
como o ar.
como o pulso.
como o amor
quando deixa de julgar
e aprende a permanecer.
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